REVISTA DE TRABALHOS ACADÊMICOS, Nº. 02 -Jornada Científica - Suplemento Brasil - 2010

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AS LUTAS COMO CONTEÊDO DE ENSINO NAS AULAS DE EDUCAÇÃO F͍SICA ESCOLAR

Francisco de A. S. Junior, João Vicente da S. Neto, Jonyerson Lima Silva, Maria Carmem Vilegas, Laís Martins Pina, Rodrigo Guerra, Tatiane Oliveira Silva, Carlos Alberto Figueiredo da Silva

Resumo


A literatura tem mostrado que o conhecimento peculiar das lutas alcança-se, primordialmente, pela vivência no campo dessas práticas, tendo a figura do mestre como elemento fundamental. O campo das lutas, assim, apesar das semelhanças, apresentaria um desenvolvimento do conhecimento de maneira diferente do que normalmente acontece na educação física escolar (DAOLIO, 1993). Este trabalho tem o objetivo de compreender como os professores de educação física estão utilizando o bloco de conteúdos proposto nos Parâmetros Curriculares Nacionais – Educação Física, no que se refere à prática das lutas; com isso, efetuar uma reflexão sobre processo pedagógico desse conteúdo no ambiente escolar, buscando apresentar alternativas que possam contribuir no processo de ensino-aprendizagem das lutas nas aulas de educação física na escola. Trata-se de um estudo de natureza descritiva e abordagem quali-qualitativa. A população investigada envolveu profissionais de educação física (da rede pública municipal, estadual e também da rede privada de ensino do município do Rio de Janeiro). Dos 30 profissionais investigados, 17 (masculino) 13 (feminino), 15 profissionais são graduados por IES públicas e 15 por IES privadas. 13 professores atuam na rede privada e 17 na rede pública (7 do município e 10 do estado). No procedimento de coleta de dados, a aplicação do instrumento foi executada em apenas uma etapa, cujo objetivo foi atingir todos os turnos dos profissionais entrevistados. Educação Infantil (manhã, tarde), Ensino Fundamental (manhã, tarde) e Ensino Médio (Noite). O questionário foi aplicado após o término das aulas dos professores. Eles responderam as perguntas livremente em um tempo estimado entre 10 a 15 minutos, foi explicitado aos professores o objetivo da pesquisa, ao ponto de que eles se sentissem à vontade para responder ao instrumento. Também foi informado que poderiam desistir de responder ao questionário e que as informações não mencionariam qualquer dado pessoal. Quando perguntados sobre as lutas que consideram como as mais adequadas, a capoeira aparece com 17 votos, o judô vem em segundo com 11 votos, em seguida o caratê com 3, muay thai com 1, greco romana 1. Três profissionais consideram que todas são adequadas e outros três, nenhuma. Ao questionarmos se os profissionais aplicavam o conteúdo lutas em suas aulas, obtivemos: 11 (67%) dos professores não aplicam, 8 (30%) aplicam, 4 professores incluídos nos 67% afirmam não terem recursos, 7 (3%) não têm justificativa. 22 (73%) profissionais tiveram o conteúdo na graduação e 8 (27%) não tiveram, mas esse número cai em divergência com o percentual de professores que não aplicam o conteúdo em suas aulas (67%). No quesito barreiras, obtivemos 23% das respostas considerando existirem barreiras para desenvolver o conteúdo, 7% dos professores não opinaram e 70% disseram que não existem barreiras para inclusão do conteúdo lutas em suas aulas. Na relação Lutas-Violência: 2 professores disseram que a luta gera violência, 15 disseram que não e 13 afirmaram que depende do professor. Associando Lutas-Agressividade: 26 profissionais optaram em responder que seus alunos não se tornariam mais agressivos ao praticarem lutas, 3 pensam o oposto e apenas 1 não opinou. Conclui-se que os PCNs – Educação Física devem ser discutidos com mais profundidade pelos profissionais que atuam na área. Já que conhecem o material, mas ainda falta maior e melhor reflexão sobre o conteúdo lutas. Percebemos que a prática das lutas, que é parte do bloco de conteúdos dos PCNs não vem sendo explorada nas aulas de educação física escolar. Os resultados mostram que alguns profissionais possuem uma visão deturpada do conteúdo lutas, relacionando-o à violência e à agressividade, atitude oposta à educação física e à própria filosofia do esporte proposto. Há de se considerar que os profissionais hoje atuantes na área escolar necessitam discernir a ponto de separar o que se considera como forma de desenvolvimento motor, cognitivo e social e o que se pode considerar como uma maneira de agressão intencional ao próximo. Visto desta maneira, o conteúdo lutas não deve ser aplicado como nas aulas de educação física escolar.



ISSN 2179-1589
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